sexta, 09 de outubro de 2026
Itajaí 
08/10/2026 | 07:00

Município homenageia idealizador da Marejada neste sábado (10)

Quase quatro décadas depois de ter imaginado uma festa para apresentar Itajaí aos visitantes, Luiz Felipe Sada Graf será homenageado pelo Município  por meio da Secretaria Municípal de Turismo e Eventos durante a 37ª Marejada em cerimônia no Centreventos neste sábado (10), às 19h. O reconhecimento resgata a história de um empresário que, em 1987, teve uma ideia que acabou ultrapassando o propósito inicial e se transformou em uma das principais celebrações da cidade.
 
Felipe queria atrair para Itajaí os turistas argentinos que visitavam Balneário Camboriú. Na época, era um dos proprietários da loja Giorama e chegou a mandar produzir um mapa com os principais pontos turísticos da cidade e organizar um ônibus para buscar os visitantes.
 
Mas, o idealizador da Marejada percebeu que Itajaí precisava oferecer aos turistas algo que fosse mais do que um passeio ou uma visita a uma loja. Era preciso criar um evento que tivesse a cara da cidade. Foi assim que surgiu a ideia de uma festa ligada ao mar. Paulo Roberto Sada Graf, irmão de Felipe, acompanhou toda a trajetória e lembra cada detalhe do início da ideia.
 
A primeira Marejada ocorreu de 8 a 12 de outubro de 1987, no antigo terminal de ônibus coletivos, no espaço onde hoje está o Centreventos Governador Luiz Henrique da Silveira.
 
A ideia de Felipe ganhou a participação de outras pessoas que ajudaram a construir os primeiros passos da festa. Estavam entre elas o então secretário de Turismo Renato Silva, o agente de viagens Reinaldo Wanderech, o empresário Gabriel Bihr e o professor Acyr Oliveira, responsável por contribuir para a presença dos elementos da cultura portuguesa e açoriana na celebração.
 
Nas primeiras edições, a Marejada foi construída com forte participação da comunidade. Felipe reuniu entidades, distribuiu espaços para as barracas e incentivou a preparação de pratos como caldeirada, pastel e bolinho de peixe. A participação também ajudava as organizações a arrecadar recursos, enquanto a proposta era manter a festa acessível às famílias.
 
A gastronomia portuguesa ganhou espaço desde os primeiros anos, com a participação de Dona Maria, responsável pela Tasca Portuguesa, tradição que posteriormente continuou com Gabriel Bihr, da Pizzaria Forno de Lenha.
 
O homem que preferia os bastidores
 
Felipe não era apenas o idealizador. Segundo o irmão, acompanhava pessoalmente cada detalhe da festa.
 
Percorria as barracas, observava o atendimento, experimentava os pratos e fazia anotações sobre o que precisava ser corrigido. Também participava da criação da estrutura e da decoração.
 
Com facilidade para desenhar, ajudou a criar elementos que marcaram as primeiras edições, entre eles um moinho, uma torre e um chafariz.
 
Mesmo sendo o responsável pela ideia que deu origem à festa, Felipe preferia ficar longe dos holofotes.
 
“Ele não gostava de aparecer. Gostava de fazer. Estava sempre olhando tudo, vendo o que podia melhorar”, conta Beto.
 
Essa característica ajuda a explicar por que, durante tanto tempo, a história da Marejada esteve mais presente na memória de quem participou das primeiras edições do que no nome de seu idealizador.
 
Agora, o Município recupera essa história para prestar uma homenagem a Felipe e reconhecer publicamente a contribuição de quem ajudou a dar os primeiros contornos à festa.
 
Luiz Felipe Sada Graf morreu em setembro de 2017. Para Beto, falar do irmão é também lembrar de um período em que uma ideia ainda pequena começava a ganhar forma e encontrava na comunidade a força para crescer.
 
A homenagem do Município olha para o passado para reconhecer uma história que continua presente.
 
A Marejada que nasceu de uma ideia para trazer visitantes a Itajaí se transformou em uma festa que hoje recebe moradores e turistas, reúne gerações e ajuda a contar, todos os anos, um pouco da história e da identidade de uma cidade ligada ao mar.

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