terça, 06 de outubro de 2026
Política
06/10/2026 | 09:46

COLUNA DO PRISCO PARAÍSO: Vitória esmagadora: Jorginho manda no presente e larga na frente para 2030

A eleição em Santa Catarina teve um grande vitorioso. E ele responde pelo nome de Jorginho Mello. Não apenas porque se reelegeu no primeiro turno, com expressivos 68,98% dos votos válidos. O governador venceu de cabo a rabo: conquistou as duas vagas ao Senado, fez a maior bancada na Assembleia e elegeu sete dos 16 deputados federais.
 
Foi uma demonstração avassaladora de força eleitoral, capacidade de articulação e liderança política. Os adversários tentaram disputar o governo. Jorginho terminou a eleição ampliando seu poder sobre praticamente todo o tabuleiro catarinense.
 
Há vitórias que asseguram um mandato. Esta entregou muito mais.
 
Quase um segundo turno
O tamanho do resultado aparece numa comparação simples. Em 2022, Jorginho conquistou o governo com 70,69% dos votos válidos no segundo turno. Agora, diante de vários adversários, alcançou 68,98% já na primeira rodada. Uma diferença de apenas 1,71 ponto percentual.
 
Ou seja, praticamente reproduziu, no primeiro turno de 2026, o percentual da vitória no segundo turno de 2022.
 
É uma votação contundente. Traduz a aceitação de seu governo e demonstra que o governador conseguiu conservar e ampliar sua capacidade de reunir o eleitorado em torno de um projeto político. A oposição passou a campanha tentando abrir uma brecha. As urnas devolveram uma muralha.
 
Todo governador ocupa uma posição privilegiada na política estadual. Poucos, porém, transformam essa condição numa musculatura eleitoral dessa dimensão.
 
O voto casado
A eleição de Carlos Bolsonaro é parte fundamental dessa vitória. Jorginho se empenhou, especialmente na reta final, para associar sua candidatura à de Carol de Toni e consolidar o voto casado.
 
Era uma disputa em que Esperidião Amin ameaçava a pretensão do PL de conquistar as duas cadeiras. O governador assumiu o desafio, mobilizou sua estrutura política e tratou a eleição dos dois candidatos como prioridade.
 
Carlos tinha o sobrenome Bolsonaro. Jorginho ofereceu articulação estadual, presença e organização. Essa combinação ajudou a transformar uma candidatura ameaçada em mandato conquistado.
 
Carol, por sua vez, saiu das urnas com quase 2,7 milhões de votos e uma força própria que não pode ser tratada como simples apêndice de outra candidatura. Foi uma vitória do conjunto, com protagonismos diferentes e um resultado que interessa diretamente ao governador.
 
Vinte e seis mandatos
A conta é eloquente: um governador, dois senadores, sete deputados federais e 16 estaduais. São 26 mandatos conquistados pelo PL, sem contar a vice-governadoria e os eleitos de partidos aliados.
 
Na Assembleia, os liberais ocuparão 40% das cadeiras. Sozinhos, não têm maioria absoluta, mas formam uma bancada suficientemente robusta para comandar as principais negociações. Com os aliados, Jorginho reúne condições de construir uma sustentação parlamentar folgada.
 
Na Câmara Federal, os sete deputados do PL também não esgotam seu campo de influência. Há representantes de outras legendas com proximidade política e interesses convergentes com o governo estadual.
 
É poder para governar, negociar e influir diretamente na escolha do próximo presidente da Assembleia. Nenhuma decisão relevante poderá ignorar o tamanho do grupo que saiu das urnas.
 
Brasília na conta
A partir de 2027, Santa Catarina terá seus três senadores filiados ao PL: Jorge Seif, eleito em 2022, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro. Representação cem por cento liberal.
 
Para a direção nacional do partido, Jorginho entrega um resultado de enorme valor. Uma bancada federal expressiva, força estadual e as duas vagas ao Senado que estavam em disputa. Não se trata apenas de prestígio. Trata-se de representação, estrutura partidária e capacidade de influenciar decisões nacionais.
 
O governador também sai fortalecido perante a família Bolsonaro. Além da eleição de Carlos, Santa Catarina deu a Jair Renan a quarta maior votação para deputado federal no estado, a segunda entre os candidatos do PL.
 
O 02 chega ao Senado. O 04 chega à Câmara. E Jorginho se consolida como um aliado que entrega resultado. Na política, isso vale muito mais do que discurso de palanque.
 
Força para cobrar
Se Flávio Bolsonaro vencer o segundo turno, Jorginho terá uma posição privilegiada na interlocução com o futuro governo federal. Poderá reivindicar espaço político, defender nomes para a administração e cobrar atenção para as necessidades catarinenses.
 
Até uma indicação ministerial pode entrar nessa negociação. Musculatura eleitoral para apresentar a reivindicação, ele tem.
 
Mas o ganho mais importante para Santa Catarina precisa aparecer nas obras. Rodovias, acessos, logística e infraestrutura exigem recursos, decisões e execução. O estado não pode continuar esperando indefinidamente por soluções enquanto sua economia paga a conta dos gargalos.
 
Proximidade com o presidente não garante obra pronta. Justamente por isso, tamanho prestígio terá de ser convertido em entregas. O governador sai fortalecido para cobrar. E também será cobrado pelo que conseguir trazer.
 
O tamanho nacional
Jorginho alcançou um dos maiores percentuais entre os governadores eleitos neste primeiro turno. Seus 68,98% ficaram próximos dos 69,13% de Arthur Henrique, em Roraima, e dos 70,9% de Rafael Fonteles, no Piauí.
 
O resultado o coloca numa posição de destaque no campo conservador. Santa Catarina ofereceu ao PL uma combinação rara: governo resolvido no primeiro turno, duas vagas ao Senado e bancadas expressivas.
 
O governador deixa de ser apenas um dirigente estadual bem-sucedido. Passa a ter ainda mais credenciais para participar das decisões nacionais do partido.
 
Quem entrega esse conjunto de resultados não chega à mesa de negociação pedindo licença. Chega com votos, mandatos e força política.
 
2030 já começou
A eleição terminou, mas a sucessão de 2030 já entrou no horizonte. Dois nomes surgem naturalmente dentro do campo governista: Carol de Toni e o vice-governador eleito, Adriano Silva.
 
Carol sai com uma votação gigantesca, projeção estadual e oito anos de mandato pela frente. Seu desempenho a coloca entre as principais lideranças da direita catarinense. Seria um erro grosseiro ignorar o tamanho político que conquistou.
 
Adriano tem outra vantagem: a posição institucional. Se Jorginho decidir deixar o governo em 2030 para disputar o Senado, o vice assumirá o Executivo e poderá buscar a continuidade no cargo, observadas as condições eleitorais.
 
Mas o Novo teve um desempenho proporcional modesto: elegeu Odair Tramontin para a Assembleia e reelegeu Gilson Marques para a Câmara, sem manter Matheus Cadorin no Legislativo estadual.
 
É uma estrutura partidária pequena diante da força construída pelo PL. Adriano terá a vice-governadoria e a possibilidade de assumir o governo. Carol terá uma votação expressiva e um partido muito mais musculoso. Essa equação precisará ser administrada por Jorginho.
 
Adversários apequenados
Do outro lado, o cenário é de terra arrasada para as pretensões de conquistar o governo. Gelson Merísio terminou com 15,66%, abaixo dos cerca de 17,4% obtidos por Décio Lima no primeiro turno de 2022. Lula ficou com 25,04% em Santa Catarina, também abaixo de seu desempenho na primeira rodada de quatro anos atrás.
 
A esquerda conserva representação e eleitorado, mas voltou a demonstrar dificuldade para romper seu isolamento na disputa estadual. A presença do presidente, a estrutura dos partidos e a concentração dos votos desse campo não produziram uma candidatura capaz de incomodar Jorginho.
 
João Rodrigues terminou ainda mais atrás, com 13,35%. Entrou para disputar o comando do estado e saiu em terceiro, atrás de Merísio. Uma derrota pesada, que expõe o fracasso de sua estratégia e impõe uma revisão profunda de seu projeto político.
 
O dono do pedaço
Seria precipitado declarar encerrada a eleição de 2030 quatro anos antes. Mas o ponto de partida é brutalmente desigual. Jorginho tem o governo, a maior bancada estadual, forte representação em Brasília e influência sobre os principais nomes de sua própria sucessão.
 
Os adversários terão de reconstruir discurso, liderança e organização. O governador terá de administrar a abundância de poder e as ambições dentro de seu grupo. Hoje, o desafio mais imediato pode estar justamente em acomodar os vitoriosos.
 
A vitória foi esmagadora. O comando político saiu das urnas reforçado em todas as frentes.
 
A grande verdade é que Jorginho Mello é o dono do pedaço.

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