domingo, 27 de setembro de 2026
ALESC
27/09/2026 | 07:00

Trabalho eficiente de equipe e generosidade fazem Santa Catarina ser sucesso em transplantes

Foto: Solon Soares / Agência Alesc
 
Santa Catarina tornou-se, nas últimas duas décadas, referência nacional na política de transplantes, com números reveladores de uma política de estado: em 15 anos, liderou as estatísticas nacionais, e nos demais ficou com o segundo lugar.
 
O médico Joel de Andrade atua como coordenador da Central Estadual de Transplantes – SC Transplantes desde 2005, e credita o sucesso a uma equipe integrada por 30 profissionais da logística técnica e aos mais de 300 coordenadores de equipes de captação, médicos e enfermeiros intensivistas distribuídos em 73 unidades hospitalares “doadoras” da rede de saúde estadual – um time que atua 24 horas, todos os dias do ano.
 
Na outra ponta, estão hospitais onde são realizados transplantes, em Blumenau, Joinville, Chapecó, Itajaí, Criciúma, São José e Florianópolis.
 
As conquistas se refletem em vidas salvas, ou em significativos avanços na qualidade de vida de quem precisa de um transplante. Santa Catarina atualmente registra 45 doadores efetivos por milhão de população (pmp), a maior taxa do Brasil, enquanto a média nacional ficou em apenas 20,3 pmp.
 
Com a “cultura de doação de órgãos” criada a partir do treinamento e organização dos profissionais de saúde, a taxa de recusa à doação de órgãos por familiares caiu de 70% em 2007, para 32% em 2025, diante de abordagens adequadas de equipes de assistência hospitalar. O índice no Brasil é de 45% de recusa.
 
Este ano, até agosto, a taxa de recusa ainda reduziu mais, chegando a 31%.
 
Modelo envolve treinamento de captadores
Joel aproveitou sua experiência de 10 anos como intensivista em hospitais para promover uma inversão na lógica no sistema, que tinha baixo desempenho e determinava a remoção da maior parte dos pacientes para outras regiões. Ele avaliou o cenário e trouxe à realidade catarinense uma adaptação do modelo espanhol, líder mundial em transplantes.
 
O modelo apregoa uma firme coordenação profissionalizada dentro dos hospitais, em reforço à legislação de consentimento presumido das doações. O sistema treina e insere os médicos e enfermeiros especialistas em terapia intensiva (UTIs), como coordenadores de transplantes dentro dos hospitais, aprimorando a comunicação em situações críticas.
 
“Os profissionais identificam precocemente potenciais doadores e se aproximam das famílias, demonstram empatia e acolhimento, e na hora certa, quando ocorre a morte encefálica, oferecem a possibilidade de doação, que costuma resultar em atos de generosidade”, diz o médico.
 
Na outra ponta, a organização do sistema público gerencia de forma centralizada as listas de espera, logística de transporte e distribuição de órgãos. “Há casos em que numa única doação mobilizamos até três aeronaves para o transporte de órgãos”, conta Joel, lembrando que a SC Transplantes atua em conjunto com toda a rede de apoio da segurança pública e não dispõe de estrutura de transporte aéreo própria.
 
“O serviço público ensina que as conquistas não são atos heroicos, mas fruto de planejamento, persistência e negociação”.
Joel de Andrade
Médico e coordenador da Central Estadual de Transplantes – SC Transplantes
Leis estaduais em incentivo à doação de órgãos
A Assembleia Legislativa acompanha de forma permanente as questões associadas a demandas que envolvem campanhas por transplantes, as ações do setor público para atender pacientes e já aprovou legislações em estímulo à doação de órgãos e benefícios a doadores.

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