quinta, 06 de agosto de 2026
Geral
06/08/2026 | 10:12

Audiência pública discute fechamento de agências bancárias em Santa Catarina

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
 
A criação de uma comissão para tratar da elaboração de leis que exijam a manutenção de atendimento presencial pelos bancos foi o principal encaminhamento da audiência pública realizada na noite desta quarta-feira (5) pela Alesc para discutir os impactos do fechamento de agências bancárias em Santa Catarina.
 
O encontro, promovido pela Comissão dos Direitos do Consumidor, reuniu autoridades, bancários e representantes de entidades sindicais.
 
Atendimento presencial
O debate foi solicitado pela Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Santa Catarina (Fetrafi-SC).
 
A entidade tem questionado o fechamento das agências bancárias que, conforme a entidade, tem prejudicado o atendimento à população mais vulnerável, em especial nos municípios de menor porte, com impactos negativos para a economia.
 
O argumento dos bancos, segundo a Fetrafi-SC, é o avanço a digitalização dos serviços bancários.
 
“Não negamos a importância da tecnologia, mas ela não substitui o homem. Todo mundo sabe que problemas complexos, operações de crédito, situações que envolvem fraudes, atendimento de pessoas que não têm acesso à internet, pessoas idosas, exigem a presença de uma agência e de profissionais qualificados”, afirmou Marco Aurélio Silvano, secretário-geral da federação.
 
Para ele, a redução do atendimento presencial, além de prejudicar a sociedade, tem prejudicado também os bancários.
 
“A redução dos postos de trabalho, com o fechamento das agências, faz com que um volume de trabalho grande recaia sobre cada vez menos bancários, com sobrecarga”, disse.
 
Ele defendeu que a sociedade participe desse debate que, atualmente, está restrito aos bancários.
 
“Essa mudança é uma escolha do cliente ou uma imposição dos bancos, que reduziram o atendimento presencial e obrigaram os clientes a usarem esses aplicativos?”, questionou Silvano.
 
Cleberson Eichholz, presidente do Sintrafi, sindicato que representa os bancários da Grande Florianópolis, também defendeu a elaboração de leis que exijam dos bancos a manutenção do atendimento presencial.
 
“Precisamos de um atendimento que garanta mínimas condições para as pessoas mais vulneráveis, que são as mais prejudicadas com essa dinâmica dos bancos, pois elas têm mais dificuldades em acessar os meios digitais.”
 
Já Gustavo Tabatinga, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), além de defender a regulamentação da exigência do atendimento presencial, sugeriu a elaboração de normas que proíbam o poder público estadual de operar em instituições financeiras que não tenham rede de agências adequada.
 
Redução das agências
Durante a audiência, o economista do Dieese Gustavo Cavarzan apresentou um raio-x do atendimento bancário em Santa Catarina.
 
Em dez anos, houve uma redução de 40% no número de agências em Santa Catarina. O número de postos de trabalho no setor caiu 30% no estado.
 
Atualmente, conforme Cavarzan, 44% dos municípios catarinenses não contam com agência bancária, o que atinge mais de 600 mil pessoas.
 
“Isso traz uma série de consequências para os clientes e para a economia desses municípios”, disse.
 
“Reduz a arrecadação dos municípios, prejudica as pequenas empresas, as pessoas mais vulneráveis. Além disso, há uma tendência a aumento da inadimplência no pagamento dos tributos”, disse.
 
O economista destacou que os bancos adotaram uma estratégia de precarização no atendimento da população de baixa renda.
 
Enquanto o atendimento presencial está restrito à alta renda, a população mais carente fica restrita a correspondentes bancários, que só em Santa Catarina são 12,3 mil, 21 vezes o número de agências bancárias no estado.
 
“Esse processo de falta de atendimento adequado também ajuda a explicar um dos principais problemas que atinge a população, que é o endividamento. É um tema que merece atenção do poder público, porque está se agravando e vai trazer mais consequências negativas”, completou Cavarzan.

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