A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) avançou em sua agenda de sustentabilidade ao conquistar, pelo terceiro ano consecutivo, o Selo Prata de qualificação do inventário corporativo do Programa Brasileiro de Emissões de Gases do Efeito Estufa (GHG Protocol). O reconhecimento nacional certifica que a universidade mapeou com total transparência e precisão a sua “pegada de carbono” — ou seja, o volume de gases de efeito estufa gerado por suas atividades operacionais.
O mapeamento detalhado envolveu todas as unidades da instituição e analisou dois grandes grupos de impacto: as emissões diretas (como o uso de geradores e o combustível da frota institucional de veículos) e as emissões indiretas (geradas pela energia elétrica comprada para iluminar e operar os campi). Os relatórios detalhados deste ciclo serão disponibilizados no site do Registro Público de Emissões após o evento anual do programa, previsto para os dias 26 e 27 de agosto de 2026.
“Como a gente vem elaborando esses inventários e vendo todas as fontes diretas e indiretas de emissões, conseguimos fazer esse monitoramento ao longo do tempo e estabelecer metas e indicadores para a implementação de processos de melhoria interna. Além disso, nós optamos por publicar o inventário para demonstrar transparência e responsabilidade ambiental”, destaca a engenheira ambiental Francine Wendt Polessi Virgentin, da Gerência de Infraestrutura da Univali.
Segundo ela, a iniciativa funciona como um ponto de partida estratégico para o futuro.
“A partir do momento em que temos esses valores quantificados, conseguimos guiar planos de ação para a descarbonização, garantir conformidade legal, visibilidade e credibilidade no mercado, além de evitar o desperdício de recursos. É um trabalho complexo e minucioso, mas que traz um diagnóstico consistente e de grande relevância institucional”, complementa.
A Univali aderiu à plataforma da FGV no ciclo de 2024 e, desde então, mantém a qualificação máxima para inventários sem auditoria externa. O próximo nível do programa prevê a busca pelo Selo Ouro, etapa que exigirá a validação dos relatórios por um organismo de verificação independente e acreditado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
Diagnóstico estratégico e ações práticas
A quantificação e o monitoramento das emissões ao longo do tempo fornecem à instituição os indicadores necessários para implementar processos de melhoria interna e redução de custos operacionais. Atualmente, os dados balizam uma série de investimentos em eficiência energética e mitigação de impactos nos campi, como a substituição gradativa de lâmpadas por tecnologia LED e a modernização de sistemas de climatização.
O gerenciamento de emissões também se reflete no direcionamento de matrizes limpas, a exemplo das usinas fotovoltaicas operadas pela universidade em Biguaçu, Balneário Piçarras e Tijucas, que reduzem a dependência da rede elétrica tradicional. Na área de mobilidade e infraestrutura, o diagnóstico apoia campanhas de manutenção preventiva da frota, incentivo ao uso de transportes alternativos e estímulo à carona solidária para atenuar o fluxo de veículos no entorno dos campi.
Essa gestão integra o ecossistema de sustentabilidade da Univali, eleita a Instituição de Ensino Superior mais sustentável de Santa Catarina pelo ranking internacional UI GreenMetric World University Ranking. A universidade também detém a certificação internacional Net Zero Energy Building e desenvolve soluções ecológicas próprias, como os sistemas de fitorremediação para tratamento natural de efluentes por meio de plantas no campus Professor Edison Villela (Itajaí), no Balneário Camboriú e na Unidade Laboratorial de Tecnologia Ambiental (Latec).