A Autoridade Portuária de Itajaí celebra dois anos de federalização com receitas e projeções de crescimento. Mas os números impõem uma cobrança ao governo Lula, do PT: por que pontos essenciais à operação estão mais rasos?
A demora na recuperação das profundidades mantém um problema que o balanço não resolve. A Marinha vem registrando trechos abaixo dos parâmetros de projeto. Anunciar contrato de dragagem não significa entregar condições adequadas de operação.
O prejuízo potencial vai além da carga que deixa de embarcar. Restrições podem provocar cancelamentos de atracações, reprogramações e custos adicionais. Mais difícil de medir é o desgaste com a previsibilidade e da confiança dos armadores.
Quando uma operação perde regularidade, fica em risco a capacidade de manter serviços e atrair cargas. Recuperar profundidade exige dragagem. Reconquistar uma escala transferida para outro porto pode ser muito mais difícil. A confiança perdida não retorna automaticamente com a passagem de uma draga.
Nesse cenário, o mérito dos resultados deve ser discutido a partir dos investimentos e do trabalho dos terminais JBS, em Itajaí, e Portonave, em Navegantes. São operadores e trabalhadores que transformam estrutura, equipamentos e contratos comerciais em movimentação.
Os números do porto público apresentados no balanço não incluem a Portonave. Mas ambos dependem do acesso aquaviário. Quanto mais poderiam produzir se a infraestrutura acompanhasse seus esforços?
A gestão federal destaca contrato de dragagem de R$ 63,8 milhões, mas não apresenta um levantamento das cargas perdidas, das escalas afetadas e do impacto comercial das restrições. Sem esses dados, a dimensão dos prejuízos permanece desconhecida.
Celebrar receitas enquanto o acesso limita operações exige explicações. O governo não pode concentrar os créditos pelos resultados e deixar sem resposta os problemas sob sua responsabilidade.
O que deve vir primeiro: a comemoração política ou a recuperação das condições que sustentam a confiança no porto?
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