sábado, 22 de agosto de 2026
ALESC
22/08/2026 | 07:00

Exposição de Marta Facco remete a reflexões sobre a obsolescência em nosso cotidiano

FOTO: Jeferson Baldo/Agência Alesc
 
Obsolescência é o tema da exposição da artista Marta Facco, que pode ser visitada até 3 de setembro, na Galeria Ernesto Meyer Filho.
 
São 14 telas com cores vibrantes pintadas a óleo, expostas em oito painéis, que resultam da observação demorada sob os descartes das coisas no nosso cotidiano.
 
É a terceira mostra do projeto da Gerência Cultural da Assembleia Legislativa, que selecionou, por edital lançado em 2025, seis artistas radicados em Santa Catarina.
 
Sobre
 
Marta Facco tem formação em artes plásticas, em São Paulo, Santa Maria (RS), mestrado e doutorado na Udesc, e pós-doutorado em Portugal. Vive em Florianópolis, onde é professora de artes e tem ateliê na Lagoa da Conceição.
 
Da fotografia de descartes às telas
As telas refletem registros fotográficos de cenas de descarte encontradas nas ruas, composições involuntárias formadas por móveis abandonados, colchões, cadeiras, armários, fragmentos de madeira, sacos e tecidos expostos ao tempo.
 
“Esses registros não funcionam como documentos objetivos, mas como arquivos sensíveis”, explica a artista. Da fotografia às telas, “coisas que ainda existem, mas já não ocupam o centro da vida e permanecem suspensas no tempo, entre a função e o desaparecimento, passando a habitar zonas de esquecimento”.
 
Artista desafia dualidades do cotidiano
Esse procedimento dialoga com a trajetória artística da autora, que investiga o ambiente doméstico, o descarte, a ruína e a memória, trabalhando com questões entre presença/ausência, morte/vida, externo/interno, que movem temas relacionados aos afetos que construímos, representados pelos objetos da casa, gerando assuntos como: abandono, desprezo, solidão, descaso, violência, desmonte, ruína, entre outros.
 
A investigação
Assim, o projeto consolida uma investigação continuada sobre impermanência, memória e valor, articulando prática pictórica e observação urbana como modos de compreender a experiência contemporânea.
 
Reflexão estética e crítica
A relevância do projeto reside na capacidade de transformar essas cenas ordinárias em campo de reflexão estética e crítica.
 
Em um tempo atravessado pela lógica do consumo imediato, pela produção excessiva e pela superficialidade das relações humanas, os objetos descartados tornam-se metáforas visíveis da vida humana, de uma experiência mais ampla de desgaste e substituição.
 
“O que é deixado na calçada não é apenas matéria inutilizada, mas um indício das dinâmicas que organizam a vida contemporânea: ciclos rápidos, vínculos frágeis, permanências instáveis”, resume Marta Facco, cujo processo criativo inicia-se na observação atenta da cidade.

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