O Portão de Maré que protege o abastecimento de água de Itajaí e Navegantes contra o sal completa 19 anos no próximo mês de setembro. Nesta trajetória, o investimento inicial de R$ 4,5 milhões se pagou inúmeras vezes, ao garantir a qualidade da água distribuída por toda a rede do Serviço Municipal de Água, Saneamento Básico e Infraestrutura (Semasa).
Inicialmente, o projeto era denominado barragem, em função do posicionamento no canal retificado do rio Itajaí-mirim e da utilização de comportas na gestão da unidade. No entanto, com os avanços dos estudos na área, hoje a designação “Portão de Maré” é considerada mais adequada, já que enfatiza a função do equipamento, que é impedir que a correnteza leve sal para a água que é captada para tratamento.
O resultado prático é inquestionável: antes do Portão de Maré, a concentração de sal registrada no Itajaí-mirim passa frequentemente dos 2.000 miligramas por litro (mg/l), enquanto depois a média tem ficado em 40 mg/l. O limite para o consumo humano, conforme a legislação federal, é de 250 mg/l.
O funcionamento é muito simples: quando a maré sobe e existe risco de a salinidade avançar pelo rio em direção ao ponto onde a água é captada, o portão de maré pode ser fechado, funcionando como uma barreira de proteção. O Semasa possui operadores trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana, no monitoramento das condições climáticas e na verificação dos parâmetros da água, para sempre acionar cada uma das comportas da maneira mais eficiente.
Mas por que não chamar de barragem? Porque o Portão de Maré não controla o fluxo do rio, não tem a função de prevenir enchentes e não é responsável por provocar alagamentos quando é aberto ou fechado. Portanto, um termo que parecia esclarecedor no início acabou gerando confusão para algumas pessoas.
O Portão de Maré também conta com um programa de monitoramento ambiental no seu entorno, o que inclui o próprio rio, as margens e toda a fauna e flora da região, tanto terrestre quanto subaquática, dando origem a pesquisas, inovações e decisões mais assertivas na busca do desenvolvimento sustentável.