segunda, 27 de julho de 2026
Economia
27/07/2026 | 17:18

Importações de Itajaí crescem mais de US$ 1 bilhão em 2026 e cidade mantém liderança nacional

– Itajaí, no litoral de Santa Catarina, é líder entre os municípios que mais importam no Brasil: foram US$ 9,1 bilhões em compras internacionais registradas no primeiro semestre de 2026. O resultado representa crescimento de 12,6% e um acréscimo de mais de US$ 1 bilhão em relação ao mesmo período de 2025, quando o município somou US$ 8,08 bilhões em importações. Os dados são do Comex Stat, sistema oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No período, as importações brasileiras totalizaram US$ 142,4 bilhões, o que significa que a movimentação do município catarinense responde sozinha por 6,4% de todas as compras externas feitas pelo Brasil. 
 
“O crescimento de 12,6%, com mais de US$ 1 bilhão acrescentado às importações em apenas seis meses, mostra a força e a regularidade das operações registradas em Itajaí. Ao superar capitais e polos industriais consolidados, o município demonstra capacidade para concentrar fluxos de diferentes setores e atender empresas de várias regiões do país, que estão aumentando a demanda por importações, com escala, conhecimento técnico e serviços especializados em comércio exterior”, explica Matheus Bernardes, CEO da Cronos Logistics, um dos 50 maiores agentes de cargas marítimas e aéreas do país, com filiais nos EUA, em Miami e Nova Iorque, matriz em Itajaí e escritórios distribuídos pelo Brasil, em outros cinco polos logísticos.
A China permaneceu como a principal origem das mercadorias importadas por empresas domiciliadas em Itajaí, com US$ 3,79 bilhões entre janeiro e junho, o equivalente a 41,6% do total. Na sequência aparecem Alemanha, com US$ 503,2 milhões; Estados Unidos, com US$ 501,5 milhões; Chile, com US$ 462,2 milhões; e Argentina, com US$ 445,1 milhões. Somados, os cinco países responderam por mais de 62% das importações registradas no município.
 
O crescimento das importações na cidade neste ano reforça a liderança já consolidada por três anos consecutivos. Em 2025, Itajaí contabilizou US$ 16,3 bilhões em importações.
 
“O resultado mostra que Itajaí se tornou  um centro de decisão do comércio exterior brasileiro. A cidade reúne porto, terminais, retroáreas, armazéns, e prestadores especializados. Também está próxima de outros portos estratégicos de Santa Catarina, do Aeroporto de Navegantes e de importantes eixos rodoviários, o que permite planejar operações com diferentes alternativas de entrada e distribuição. Essa combinação oferece agilidade e previsibilidade às empresas que coordenam suas importações a partir da região”, afirma Fábio Rengel, COO da Cronos Logistics.
 
Entre janeiro e junho de 2026, a Cronos coordenou mais de 5.800 embarques de importação, principalmente para empresas dos segmentos têxtil, automotivo, fármaco e náutico. Os produtos vieram de países como China, Itália, Alemanha e Estados Unidos. 
 
Conheça os 5 municípios que mais importaram no primeiro semestre de 2026:
Itajaí (SC): US$ 9.103.359.037
Manaus (AM): US$ 8.787.306.952
São Paulo (SP): US$ 6.479.646.588
Rio de Janeiro (RJ): US$ 5.816.927.516
Cariacica (ES): US$ 5.791.478.013
Fonte: Comex Stat/MDIC
 
Concessão dos canais de acesso consolida novo modelo portuário e amplia divergência sobre futuro do Complexo de Itajaí e Navegantes
Pedido da Administração do Porto de Itajaí para suspender o leilão contrasta com a política nacional do Ministério de Portos e Aeroportos e enfrenta oposição de entidades empresariais e operadores portuários
A modernização da infraestrutura aquaviária brasileira entrou em uma nova fase com a implantação, pelo Ministério de Portos e Aeroportos, do modelo de concessão dos canais de acesso aos portos organizados. A iniciativa representa uma mudança estrutural na gestão portuária nacional ao substituir o modelo tradicional, baseado em dragagens contratadas de forma pontual, por contratos de longo prazo que garantem manutenção permanente, previsibilidade operacional e investimentos contínuos.
 
Nesse contexto, o pedido encaminhado pela Administração do Porto de Itajaí ao Governo Federal para suspender o leilão da concessão do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes abriu uma divergência entre a administração local e a política pública conduzida pelo Ministério.
 
Enquanto o Governo Federal trabalha para ampliar o modelo de concessões em diversos portos brasileiros, a solicitação de suspensão do certame foi recebida com preocupação por representantes do setor produtivo e da comunidade portuária, que enxergam a medida como um possível retrocesso em um processo discutido há vários anos.
 
Novo modelo substitui contratos emergenciais
Os canais de acesso são as vias navegáveis que conectam o mar aberto aos portos. Embora pouco percebidos fora do ambiente marítimo, representam uma das infraestruturas mais estratégicas da cadeia logística, pois determinam o porte das embarcações capazes de acessar os terminais e a quantidade de carga transportada em cada escala.
 
No modelo tradicional, a manutenção desses canais depende de sucessivos contratos públicos de dragagem, muitas vezes sujeitos a atrasos administrativos, interrupções e limitações orçamentárias.
 
O novo modelo proposto pelo Ministério de Portos e Aeroportos reúne em um único contrato a responsabilidade pela dragagem de manutenção, sinalização náutica, monitoramento hidrográfico, gestão das áreas de fundeio, bacias de evolução e demais estruturas aquaviárias, permitindo acompanhamento permanente das condições operacionais.
 
A expectativa é reduzir períodos de restrição operacional, aumentar a previsibilidade para armadores, operadores portuários e exportadores e elevar a competitividade logística brasileira.
 
Navios maiores exigem infraestrutura permanente
A necessidade de modernização acompanha a evolução da navegação internacional.
 
Nas últimas duas décadas, os maiores porta-contêineres passaram de aproximadamente 300 metros para embarcações que chegam a 400 metros de comprimento, com capacidade próxima de três vezes superior aos navios do início dos anos 2000.
 
Essa transformação exige canais mais profundos e continuamente mantidos.
Segundo estudos da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec), maior profundidade permite que os navios operem com maior carregamento, reduzindo o custo logístico por contêiner transportado, diminuindo o consumo de combustível e as emissões de gases de efeito estufa.
 
Quando o canal limita o calado das embarcações ou obriga operações condicionadas à maré, parte dessa eficiência é perdida, elevando custos para toda a cadeia logística.
Divergência em Itajaí
 
O debate ganhou força após a Administração do Porto de Itajaí solicitar oficialmente a suspensão do leilão da concessão do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes.
 
A iniciativa contrasta com a estratégia nacional do Ministério de Portos e Aeroportos, que considera as concessões um dos principais instrumentos para garantir estabilidade operacional aos portos brasileiros.
A proposta de concessão do canal de Itajaí e Navegantes é resultado de um processo técnico desenvolvido ao longo de vários anos, envolvendo estudos de viabilidade, consultas públicas, análises do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ).
 
O projeto também contempla futuras ampliações operacionais, remoção de obstáculos existentes no canal e criação de um modelo permanente de manutenção da infraestrutura aquaviária.
 
Setor produtivo reage contra suspensão
A solicitação de suspensão do edital foi criticada por importantes representantes da comunidade portuária.
A Associação Empresarial de Itajaí (ACII) manifestou-se publicamente em defesa da continuidade do processo, afirmando que a interrupção do leilão representaria um retrocesso após anos de planejamento e construção institucional envolvendo governo, setor produtivo e usuários do porto.
 
Na avaliação da entidade, a concessão é considerada essencial para garantir previsibilidade, competitividade e segurança jurídica aos investimentos no complexo portuário.
 
A Portonave, maior terminal de contêineres do complexo, também se posicionou contrariamente à suspensão do edital. A empresa destacou que o processo vem sendo construído há vários anos, com ampla participação técnica e institucional, e que qualquer paralisação poderá comprometer ganhos operacionais importantes para toda a cadeia logística da região.
 
Para operadores portuários e usuários do complexo, a manutenção permanente do canal representa um dos principais fatores para assegurar competitividade frente a outros portos brasileiros e internacionais.
 
Profundidade oficial e perspectivas
Atualmente, o canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes possui profundidade oficial certificada pela Marinha do Brasil de 13,5 metros.
 
Embora essa condição permita a operação de grandes embarcações, representantes do setor defendem que um contrato permanente de concessão reduziria a dependência de dragagens extraordinárias, garantiria manutenção contínua das profundidades homologadas e permitiria preparar a infraestrutura para futuras ampliações exigidas pela evolução da frota mundial.
 
A discussão sobre o futuro do canal extrapola a realidade regional. O modelo de concessão da infraestrutura aquaviária passou a integrar a estratégia nacional do Ministério de Portos e Aeroportos para modernizar a logística brasileira, reduzir custos operacionais e aumentar a competitividade do comércio exterior.
Nesse cenário, a decisão sobre o processo de Itajaí e Navegantes poderá se tornar um dos casos mais emblemáticos da implantação desse novo modelo de gestão portuária no país.

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