quarta, 01 de julho de 2026
Geral
01/07/2026 | 07:00

Encontro valoriza os 20 anos do Circuito do Vale Europeu para turismo com bicicletas

Foto: Rodrigo Corrêa / Agência Alesc
 
Os 20 anos da implantação do Circuito Ciclístico do Vale Europeu justificaram a realização, nesta terça-feira (30), de um encontro envolvendo adeptos e apoiadores do cicloturismo e do turismo de aventuras, e na divulgação de um manifesto em apoio ao turismo de natureza no Brasil.
 
O encontro realizado na Assembleia Legislativa teve apoio institucional do gabinete do deputado Marquito (Psol), que destacou a importância do circuito pelo padrão de organização que alcançou.
 
Turismo de natureza e desenvolvimento sustentável
Um painel ampliou o debate sobre a importância das trilhas e do turismo de aventura, com participações da coordenadora da Rede Trilhas de Santa Catarina, Adriana Nunes, e do coordenador do centro de visitantes do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, Luiz Pimenta, mediado pelo representante do Instituto de Planejamento Estratégico de Transportes e Turismo/Planet Aliança Bike, Luiz Saldanha.
 
Celebrando 20 anos de história, o circuito é o principal destino de cicloturistas no Brasil. Foi o primeiro roteiro planejado e estruturado no país especialmente para ser percorrido sobre duas rodas.
 
Adriana Nunes apresentou o recém-lançado Sistema Nacional de Trilhas (Sin Trilhas), lançado durante este mês, e falou da importância da governança integrada para a gestão de percursos, em especial os que envolvem unidades de conservação.
 
“Trilhas conectam áreas protegidas, e é importante a geração de engajamento da população, pois a atividade tem potencial de geração de emprego e renda”.
 
Reconhecimento público e apoio comunitário
Nessa linha, o Circuito do Vale Europeu é reconhecido como um dos mais estruturados no país, ganhador do Prêmio Nacional de Turismo de 2025, na subcategoria Trilhas de Longo Curso, em reconhecimento do Ministério do Turismo.
 
É uma iniciativa que aproximou adeptos do ciclismo com administradores municipais, por meio do Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí (Cimvi), entidades da sociedade civil, como a Associação Vale Europeu Catarinense, empresários e a comunidade da região.
 
O roteiro passa por nove municípios, sendo Timbó considerado ponto de início e final do trajeto, incluindo também Pomerode, Indaial, Ascurra, Apiúna, Rodeio, Doutor Pedrinho, Rio dos Cedros e Benedito Novo.
 
O circuito está profissionalizado e pode ser feito com apoio de operadoras credenciadas, que oferecem transporte desde aeroportos, aluguel de bicicletas, carro de apoio, guia de pedal e para trilhas e prática de turismo de aventura em meio ao percurso.
 
Trajeto com opções de acordo com aptidões
O circuito completo tem mais de 300 quilômetros é programado para ser feito em até sete dias, não sendo considerado adequado para iniciantes no ciclismo. Mas há um circuito menor e menos exigente para quem tem pouco preparo.
 
O percurso completo apresenta altimetria acumulada de 4.700 metros. Isso representa a soma de todas as subidas, sem descontar as descidas. Além disso, em grande parte os trajetos são em estradas de terra, que podem apresentar algum grau de dificuldade adicional para quem está menos acostumado.
 
“O Circuito do Vale Europeu é reconhecido como um dos mais bem organizados. É organizado para percursos de distâncias relativamente longas, percorridas de bicicleta, mas de forma lenta, que permitem a capilaridade da renda, a troca de culturas e fortalecem a sensação de pertencimento com o local”, explica Luiz Saldanha, que acompanha nacionalmente a expansão desse modelo de aventura.
 
“Em Santa Catarina existem ao menos 32 rotas, mas, sem dúvida, a do Vale Europeu é muito diferenciada por sua organização”.
Atrativos e apoios sinalizados
Com um olhar voltado à valorização da natureza e cenários locais, à história e cultura, foi estruturado para o turismo de aventura, tornando-se o primeiro circuito nacional voltado planejado para passeios ciclísticos autoguiados, com rede de apoio e reconhecimento público, pela comprovação de participação feita por meio de um passaporte carimbado ao longo do trajeto.
 
A estrutura se traduz em guias com orientações, mapas, sinalização com setas amarelas em todo o trajeto, mesmo em percursos rurais. Os participantes podem se hospedar em hotéis, hostels, pousadas rurais e até mesmo em casas de famílias.
O percurso oferece referências sobre atrativos naturais como cachoeiras, a arquitetura colonial, pontos para eventuais reparos nas bikes, gastronomia e locais onde encontrar artesanato e lembranças, além, é claro, de carimbar os passaportes. 
 
Potencial econômico de parques nacionais
A estruturação do turismo em parques, como o da Serra do Tabuleiro, também motiva atenção e é associado ao turismo de aventura.
 
Mapeamento da Rota Oficial
 
Em 2025, o Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas estrangeiros, que geraram 7,9 bilhões de dólares em receitas turísticas. No período, os parques nacionais receberam 13,6 milhões de visitas e sustentaram 219,6 mil postos de trabalho.
 
Projeções indicam que esse potencial pode ainda ser ampliado, inclusive em estruturas estaduais, municipais e privadas, impulsionando cadeias produtivas locais.
 
O manifesto divulgado no encontro, em favor do turismo de natureza, sugere a criação e gestão adequada de parques e outras áreas protegidas, com metas sustentáveis de visitação, integrando tais iniciativas a políticas econômicas, de turismo e meio ambiente, permitindo ampliar investimentos e incentivos financeiros para a infraestrutura, serviços e gestão.

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