segunda, 29 de junho de 2026
Educação
27/06/2026 | 07:00

Queda do analfabetismo reforça efeito de políticas educacionais, aponta pesquisadora da Univali

Os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação, divulgados na última semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), recolocaram a alfabetização no centro do debate educacional brasileiro. O levantamento mostra que 58% dos municípios do país registraram melhora nos indicadores e que o Brasil alcançou a menor taxa de analfabetismo desde o início da série histórica iniciada em 2016. Em Santa Catarina, o cenário ganha ainda mais destaque: o estado registra uma das menores taxas do país e lidera a região Sul.
 
Para a pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Valéria Silva Ferreira, os resultados refletem um trabalho construído ao longo do tempo e sustentado por políticas voltadas à formação docente, alfabetização e ampliação das condições de aprendizagem.
 
“Esse tipo de investimento traz benefícios e os resultados ajudam a demonstrar isso. Quando há formação de professores, acesso a materiais de leitura, apoio às crianças com dificuldades de aprendizagem e atendimento adequado aos estudantes que precisam de acompanhamento especializado, os efeitos aparecem nos indicadores”, afirma.
 
Construção que atravessa gestões
Na avaliação de Valéria, o desempenho catarinense está relacionado a uma combinação de iniciativas desenvolvidas ao longo dos anos para fortalecer a alfabetização e ampliar as condições de aprendizagem. Entre elas, a pesquisadora cita o Pacto pela Alfabetização, que reúne ações voltadas à formação de professores, aquisição de materiais de leitura, atendimento a estudantes com deficiência e acompanhamento de crianças que apresentam dificuldades no processo de aprendizagem.
 
“São diferentes frentes de atuação que contribuem para que a criança tenha melhores condições de se alfabetizar. Quando existe planejamento e investimento nessas áreas, os resultados tendem a aparecer”, afirma.
A pesquisadora destaca que os avanços observados atualmente não podem ser atribuídos a uma única política pública ou programa específico. Para ela, os resultados são fruto de uma construção gradual, que envolve diferentes esferas da administração pública e exige continuidade.
 
“Não é um resultado produzido por uma única ação. Existe um conjunto de políticas que vem sendo desenvolvido há bastante tempo e que tem contribuído para a redução do analfabetismo. Os resultados mostram a importância de manter esses investimentos como prioridade permanente”, observa.
Mestre em Educação e doutora em Psicologia da Educação, Valéria ressalta que os indicadores reforçam a necessidade de tratar a alfabetização como uma política de longo prazo, capaz de atravessar governos e permanecer entre as prioridades da gestão pública.
 
 
O que os números revelam
Embora os dados apontem avanços consistentes, a pesquisadora chama atenção para a forma como os resultados devem ser interpretados. Segundo ela, os indicadores de alfabetização consideram competências básicas de leitura e escrita, fundamentais para a trajetória escolar, mas que representam apenas uma etapa do processo educacional.
 
“O Brasil enfrentou durante muito tempo dificuldades para garantir que todas as crianças alcançassem esse nível básico de aprendizagem. Os resultados mostram uma evolução importante, mas ainda existe um desafio significativo quando se pensa no desenvolvimento da leitura, da compreensão e da interpretação”, explica.
A pesquisadora também observa que fatores regionais ajudam a compreender os diferentes desempenhos registrados no Sul do país. Entre eles, situações excepcionais que impactaram diretamente a realidade educacional de determinados estados durante o período analisado pela pesquisa.
 
Para Valéria, os dados divulgados pela Pnad Educação oferecem uma sinalização importante sobre os caminhos que vêm produzindo resultados na alfabetização brasileira. Mais do que celebrar indicadores, o momento reforça a necessidade de preservar e aperfeiçoar políticas que ampliem as oportunidades de aprendizagem desde os primeiros anos da vida escolar.

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