A escolha do governador Jorginho Mello por Adriano Silva como vice não foi improviso. Segundo análise do jornalista político Prisco Paraíso, a decisão nasceu de uma combinação de pesquisas, leitura de cenário e fragilidade de outras alternativas no campo da direita.
No segundo semestre de 2025, Adriano começou a aparecer como possível candidato ao governo. Uma pesquisa o colocou com quase dez pontos percentuais, sinalizando viabilidade. O peso político de Joinville — maior colégio eleitoral do Estado e cidade que já elegeu governadores — reforçou o alerta.
Ao mesmo tempo, lideranças como Jorge Bornhausen e Júlio Garcia perceberam que a pré-candidatura de João Rodrigues não avançava. A avaliação foi direta: a candidatura patinava. Surgiu então a articulação para lançar Adriano ao governo com apoio do PSD, empurrando João Rodrigues para vice ou Senado.
Quando o convite chegou formalmente à família de Adriano, Jorginho reagiu rápido. Entrou em cena, costurou o acordo e fechou a vice. Adriano aceitou, já sinalizando um projeto de longo prazo: assumir o governo e mirar o Senado em 2030, tornando-se candidato natural.
Na análise de Prisco Paraíso, Adriano fez a conta correta. Ser vice de um governador bem avaliado, politicamente articulado e com apoio do ex-presidente Bolsonaro é muito mais seguro do que enfrentá-lo como cabeça de chapa em 2026.
O movimento também escancarou a fragilidade de João Rodrigues, que atacou possíveis aliados, fechou portas com o MDB e, após o acordo de Adriano com Jorginho, passou a criticá-lo publicamente. Para o analista, isso apenas reforça a dificuldade de articulação e a falta de estatura política para voos maiores.