A decisão do diretório estadual do MDB de orientar — sem exigir — que seus filiados deixem cargos no Governo do Estado expôs uma contradição difícil de esconder. No discurso, o partido fala em projeto próprio e independência. Na prática, segue mantendo centenas de cargos de segundo e terceiro escalão espalhados por praticamente todas as repartições públicas de Santa Catarina.
Mesmo com a sinalização de distanciamento político, a estrutura administrativa ligada ao MDB permanece intacta. Secretarias, autarquias e órgãos estratégicos continuam ocupados por indicados da sigla, formando uma rede de influência que pesa — e muito — no jogo eleitoral.
Nos bastidores, a estratégia é clara. Os secretários do MDB podem até sair em abril, quando vence o prazo de desincompatibilização, já que todos devem disputar a reeleição. Mas a engrenagem não para. Os indicados ficam, sustentando bases políticas, ampliando capilaridade e mantendo presença diária dentro do governo.
Até agora, apenas Carlos Chiodini oficializou a saída. Os demais seguem no cargo — e o MDB tenta equilibrar dois discursos ao mesmo tempo: afirma independência, garante apoio ao governo na Assembleia e preserva seus espaços na máquina pública.
Sai o secretário da foto, fica o poder real nos bastidores. Um jogo calculado que incomoda aliados, confunde eleitores e levanta a pergunta que ninguém responde oficialmente.