quinta, 11 de dezembro de 2025
Polícia
02/12/2025 | 09:03

Operação Vox Mortis expõe esquema milionário de venda ilegal de túmulos em cemitério público

Na manhã desta terça-feira (2), Palhoça amanheceu no centro de uma operação que revela um esquema criminoso que, segundo o Ministério Público, vinha lucrando em cima da dor das famílias por quase uma década. A operação Vox Mortis, deflagrada pelo GAECO e pela 2ª Promotoria de Justiça de Palhoça, cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em Palhoça, Florianópolis e São José, mirando um grupo acusado de vender espaços e jazigos de forma clandestina dentro do cemitério municipal do bairro Passa Vinte.
 
A gestora do cemitério, apontada como líder do esquema, foi afastada imediatamente do cargo por decisão judicial. De acordo com as investigações, ela teria movimentado mais de R$ 1 milhão entre janeiro de 2024 e junho de 2025 — valor absolutamente incompatível com sua remuneração no serviço público. O MPSC aponta ainda o uso de contas bancárias de terceiros e a atuação de coveiros para facilitar as negociações ilegais.
 
As irregularidades não surgiram agora. Desde 2017, denúncias semelhantes já haviam sido investigadas pela Polícia Civil. Em 2024, um Inquérito Civil foi instaurado para apurar falhas na gestão, e em 2025 novas denúncias chegaram à Câmara de Vereadores, com relatos de famílias que teriam sido coagidas ou orientadas a pagar valores indevidos para garantir sepultamentos. Mesmo assim, o esquema continuou operando.
 
Segundo o Ministério Público, os crimes atingem diretamente pessoas em situação de extremo sofrimento: famílias que, em momento de luto, acabaram expostas a cobranças irregulares e negociações obscuras dentro de um serviço público que deveria oferecer acolhimento e segurança. O MPSC afirma que dará prioridade à identificação das vítimas e à responsabilização criminal e civil de todos os envolvidos.
 
Os materiais apreendidos serão analisados pela Polícia Científica, e novas diligências serão realizadas para identificar outros participantes do esquema. A investigação segue sob sigilo.

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