O deputado Nikolas Ferreira criticou a decisão judicial que o condenou a pagar R$ 40 mil a uma mulher transexual. Segundo ele, a sentença representa uma punição por “dizer uma verdade biológica”. O magistrado André Augusto Salvador Bezerra entendeu que as declarações do parlamentar legitimaram a discriminação sofrida pela vítima.
O caso teve início em 2022, quando a mulher relatou nas redes sociais que um salão havia recusado atendimento afirmando trabalhar apenas com “mulheres biológicas”. Nikolas, então vereador, republicou o vídeo dizendo que ela “se considera mulher, mas é um homem”.
Para o parlamentar, sua fala representava apenas uma crítica às questões de gênero. A Justiça, porém, descartou a argumentação e apontou que o uso do termo “ideologia de gênero” tem sido empregado para negar o direito de pessoas trans se identificarem de acordo com seu gênero. O juiz afirmou que essa postura é incompatível com princípios de liberdade e democracia.
A sentença também destacou que a ciência diferencia sexo de gênero e que ignorar essa distinção reforça um discurso negacionista. Com isso, determinou o pagamento de indenização por danos morais.
O caso reacende o debate nacional sobre decisões judiciais envolvendo liberdade de expressão, identidade de gênero e limites legais de crítica pública — tema que segue polarizando o país.