A decisão da bancada federal de Santa Catarina — formada pelos 16 deputados federais e 3 senadores que representam o Estado em Brasília — de destinar apenas R$ 1,5 milhão para obras nas BR-470, BR-282 e BR-280 revoltou o setor de transporte, especialistas em logística e quem depende das estradas catarinenses para trabalhar e sobreviver.
O valor, que significa R$ 500 mil para cada rodovia, é considerado irrisório diante da realidade: Santa Catarina enfrenta um dos piores colapsos rodoviários do país, com trechos travados, obras paradas, curvas perigosas, falta de manutenção e um histórico pesado de mortes.
E não é exagero: proporcionalmente ao tamanho da sua malha federal, Santa Catarina é líder em mortes nas rodovias brasileiras.
Mesmo assim, a bancada catarinense decidiu por um valor que tem impacto quase nulo no orçamento total do DNIT para 2026 — estimado em R$ 506,7 milhões.
Ou seja: enquanto o Estado precisa de investimentos urgentes, nossos representantes enviam menos de 0,3% do valor necessário.
A pergunta que fica é inevitável: por que a bancada federal decidiu priorizar tão pouco aquilo que mais mata no nosso Estado?
A falta de recursos não apenas compromete o transporte de cargas e a competitividade econômica, mas coloca diariamente milhares de vidas em risco — caminhoneiros, trabalhadores, estudantes, famílias inteiras que cruzam as estradas que deveriam ser seguras, mas se tornaram corredores de perigo.
O setor produtivo, através da Fetrancesc, demonstrou preocupação, indignação e alertou que a decisão revela um descompasso entre Brasília e a realidade catarinense.
Enquanto isso, no asfalto, a conta continua sendo paga com vidas.
A nossa bancada federal não está preocupada com as mortes nas rodovias catarinenses? Até quando vamos aceitar verbas simbólicas para estradas que colapsam todos os dias?