O clima esquentou em Brasília na tarde desta quarta-feira (12). O governador Jorginho Mello, ao lado dos governadores do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, de Minas Gerais, Romeu Zema, de Goiás, Ronaldo Caiado, e da vice-governadora do DF, Celina Leão, cobrou freio na pressa da Câmara dos Deputados para votar o Projeto de Lei 5582/25 — proposta que endurece o combate ao crime organizado no país.
Em reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta, Jorginho Mello deixou claro que o assunto exige mais que discurso político: precisa de técnica, precisão e blindagem jurídica.
“Santa Catarina tem tolerância zero contra o crime e somos totalmente favoráveis ao aumento do rigor da lei. Mas de nada adianta aprovar um texto às pressas, que depois cai na Justiça e não muda nada. Segurança pública não é palco de ideologia, é uma pauta do Brasil”, afirmou o governador.
Segundo ele, o objetivo da comitiva não foi discutir o mérito da proposta, mas evitar que o Brasil crie uma lei frágil, que não aguente contestação e acabe beneficiando justamente quem deveria punir.
Os governadores pediram mais prazo para que o texto seja revisado com participação do Judiciário, do Senado e, principalmente, dos secretários estaduais de Segurança Pública — aqueles que lidam diariamente com a realidade das facções, ataques e operações nas ruas.
“Precisamos de instrumentos sólidos. Quem faz segurança pública no Brasil são os estados, e nossos policiais precisam de uma lei que funcione na prática”, reforçou Jorginho.
O recado foi dado: não basta falar grosso contra o crime — é preciso criar uma legislação que não desmorone no primeiro recurso.