O governador Jorginho Mello (PL) transformou o encerramento do Rota 22, em Blumenau, nesta sexta-feira (8), em uma tentativa pública de apagar o incêndio interno que consome o Partido Liberal em Santa Catarina. O evento, que reuniu mais de 1,5 mil pessoas, virou palco de discursos sobre “união, lealdade e respeito às lideranças”, enquanto, nos bastidores, a tensão entre as alas do PL continua longe de cessar.
A polêmica envolvendo a pré-candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado e a possível mudança de partido da deputada Caroline de Toni (PL) pairou sobre o auditório como um fantasma incômodo. Nenhum dos dois esteve presente — Caroline, por motivos de saúde, e Carlos, por estratégia —, mas o clima era de recado velado e movimentos ensaiados para estancar a crise.
Para evitar novas faíscas, Jorginho Mello trouxe para perto de si Ana Campagnolo e Jorge Seif, dois dos nomes que antagonizaram publicamente sobre o futuro do PL catarinense. Com um discurso calculado, o governador exaltou ambos, elogiou a força das lideranças regionais e lançou uma previsão ousada: “Campagnolo vai dobrar os votos em 2026”.
“Os prefeitos, vice-prefeitos e vereadores são a alma do PL. São eles que estão na ponta, ouvindo a população e ajudando a construir um partido forte e preparado para seguir crescendo”, disse Jorginho, em tom conciliador.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), idealizador do Rota 22, também tentou reforçar o tom institucional: “O PL está percorrendo o Brasil para mostrar que partido político não é papel guardado em gaveta, é presença e diálogo com a base”, afirmou.
A secretária-geral do PL-SC, Nara Godoy, completou dizendo que o ciclo do Rota 22 “cumpriu o papel de ouvir o povo e mostrar que Santa Catarina está no caminho certo”.
Mas, fora dos holofotes, o que se ouviu foi outra história: a de um partido rachado entre a estratégia de Jorginho e a fidelidade ao bolsonarismo.
De um lado, o governador busca alianças com o PP e União Brasil pensando na própria reeleição; do outro, a base quer garantir as bênçãos exclusivas de Jair Bolsonaro para as duas vagas ao Senado — onde Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro surgem como favoritos do clã.
Enquanto o discurso oficial fala em unidade, o bastidor fala em disputa.
Santa Catarina segue sendo o tabuleiro onde o bolsonarismo joga xadrez contra si mesmo — e Jorginho, de mediador, agora tenta não virar peça sacrificada.