A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) enfrenta uma das maiores crises políticas de sua história. O reitor Irineu Manoel de Souza exonerou, nesta terça-feira (21), parte de sua equipe após um grupo de gestores — incluindo a vice-reitora Joana Célia dos Passos, pró-reitores e secretários — anunciar o rompimento político com a atual administração e declarar que não apoiará o projeto de reeleição do reitor.
A carta assinada pelos dissidentes, entre eles o pró-reitor Jacques Mick, as secretárias Eliane Debus e Luana Heinen, e o secretário de Internacionalização Luis Carlos Pinheiro Machado Filho, faz críticas duras à condução da universidade. O grupo acusa a gestão de centralização de decisões, extinção do comitê de orçamento e exclusão da vice-reitora das principais deliberações, afirmando que houve rompimento com o modelo de gestão participativa que marcou a campanha vitoriosa da chapa em 2021.
Segundo os signatários, “a atual liderança não é suficiente para os desafios futuros da universidade” e a UFSC precisa de “uma nova condução política e administrativa”. Em resposta, o reitor publicou nota oficial confirmando a exoneração de cinco dirigentes, alegando que eles haviam colocado seus cargos à disposição. Foram substituídos João Luiz Martins, Eliane Debus, Leslie Sedrez Chaves, Luana Heinen e Luis Carlos Pinheiro Machado Filho, que deixaram os cargos na Diretoria-Geral do Gabinete, Secretaria de Cultura e Esportes, Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Secretaria de Aperfeiçoamento Institucional e Secretaria de Relações Internacionais. Os novos gestores foram nomeados em caráter pró-tempore.
A vice-reitora Joana Célia dos Passos e o pró-reitor Jacques Mick não foram oficialmente desligados. Joana ocupa cargo eletivo e só pode ser afastada por decisão direta do reitor — ato que teria grande repercussão política. Mick, que está em missão acadêmica na China, deve ser exonerado ao retornar, segundo informações internas.
A UFSC, uma das universidades mais tradicionais do país, possui campi em cinco cidades de Santa Catarina: Florianópolis (sede), Joinville, Curitibanos, Araranguá e Blumenau. A instituição atende mais de 40 mil alunos e é referência em pesquisa, inovação e formação acadêmica.
Nos bastidores, a crise atual é vista como um divisor de águas dentro da universidade, especialmente por ocorrer em um momento de preparação para o próximo processo eleitoral da Reitoria. A ruptura entre Irineu e Joana — que foram eleitos na mesma chapa — simboliza o esgotamento de um modelo de gestão que prometia diálogo e participação, mas agora enfrenta fragmentação interna e perda de apoio político.
O caso deve marcar os rumos da sucessão de 2026 e reacende o debate sobre autonomia universitária, governança e transparência administrativa dentro da maior universidade federal de Santa Catarina.