O espírito da Oktoberfest toma conta de Blumenau
O mês de outubro já iniciou e com ele as músicas no estilo bandinha, as comidas típicas alemãs e os trajes de Fritz e Frida tomam conta das ruas da cidade de Blumenau, no Vale do Itajaí. A cidade é sede da maior festa típica alemã das Américas, que iniciou oficialmente na última quarta-feira (8).
Mas, muito antes do dia da abertura, moradores já vivem a expectativa pela chegada de milhares de turistas. Hoje, te convidamos a conhecer mais desse mundo que tornou a maior festa típica alemã, declarada patrimônio cultural de Santa Catarina por meio da Lei 18.919/2024.
Tradição que costura histórias e gerações
O vai e vem das agulhas viram música enquanto constroem, fio por fio, aquela roupa típica alemã. Era para ser um apenas um vestido para uma jovem de 18 anos, lá em 2015, para curtir a Oktoberfest, mas se tornou a fonte de renda de uma família típica de Blumenau.
A costureira, dona Eraci Jettke, começou a criar os trajes típicos para a festa em um dos cômodos da sua casa. Com o passar do tempo, a demanda aumentou e atualmente, a Blumen entrelaça fios e cria memórias com a produção de mais de 1.500 trajes típicos.
“É gratificante olhar para trás, ver o que somos hoje e saber que nossa história começou com um pedido meu à minha mãe e hoje estamos presentes na vida de tantas pessoas que usam a nossa marca para eternizar momentos em suas vidas”, comenta Maiara, a jovem filha de dona Eraci que deu início ao jardim de trajes típicos artesanais.
A força econômica e cultural da Oktoberfest
Neste ano, a Oktoberfest chega à sua 40ª edição, sendo símbolo de uma tradição e de um povo que se reergueu das adversidades. “Chegamos a uma edição histórica, jubilar. A festa é muito mais que um patrimônio do município de Blumenau, é um evento que leva o nome de Santa Catarina para todo o Brasil”, comenta o diretor-geral da Vila Germânica, Guilherme Guenther.
Ao longo dos anos, a Oktoberfest Blumenau já reuniu mais de 25 milhões de visitantes. Durante 19 dias de programação, o evento preserva as raízes germânicas com desfiles, danças típicas, clubes de caça e tiro, trajes tradicionais e uma gastronomia que conquista moradores e turistas.
A festa conta com mais de seis mil empregos gerados somente em Blumenau e injeta R$ 450 milhões na economia catarinense, segundo Guenther.
Culinária e bebidas que são patrimônio
Quando falamos em cultura, não podemos deixar de lado as comidas típicas. O famoso joelho de porco (Eisbein), a salsicha (Wurst) e o chucrute (Sauerkraut) são marcas registradas da gastronomia alemã.
Blumenau também é conhecida pela produção da tradicional Linguiça Blumenau, reconhecida pela Alesc como integrante do Patrimônio Cultural do Estado (Lei 18.924/2024).
E onde há comida boa, dança e alegria, também há o tradicional chopp. A cidade faz parte da Rota das Cervejas de Santa Catarina, criada pela Lei 16.880/2016, que incentiva a cultura e a produção artesanal de cervejas no estado.
A Assembleia Legislativa ainda aprovou a Lei 18.050/2020, que garante que pelo menos 20% das cervejas vendidas em eventos com aporte público sejam produzidas em Santa Catarina.
Novidades da edição de 2025
Uma das novidades para esta edição histórica da Oktoberfest é a reabertura do ginásio Galegão. “Após 26 edições retornamos com as atividades no ginásio Galegão, como se fosse o sexto pavilhão da festa”, destacou Guilherme Guenther.
Neste ano, uma parceria entre a Oktoberfest e o Festival de Dança de Joinville forma a maior colaboração cultural do estado, com um grande festival de danças germânicas que celebra os grupos folclóricos.
Guenther destaca que a Oktoberfest 2025 trará a experiência da festa de Munique, na Alemanha. “Teremos canecos de vidro, louças de porcelana e cardápios típicos da Oktoberfest de Munique, colocando a festa catarinense no mesmo padrão que o festival original”, afirmou.
Você sabia?
Os trajes típicos foram criados para valorizar a cultura germânica e garantir benefícios como meia-entrada. O Dirndl (vestido feminino) tem origens nos uniformes de empregadas austríacas, e a posição do laço indica o estado civil da mulher: laço à esquerda, solteira; à direita, comprometida; e na frente, para crianças.
Os trajes seguem regras específicas, como comprimento mínimo de saias e vestidos, além do uso obrigatório de sapatos fechados e meias. Para os homens, é obrigatório o uso da bermuda, camisa, meia até o joelho ou polaina.
Pronto para curtir a maior festa típica alemã das Américas? Então “Ein Prosit der Gemütlichkeit” — um brinde ao bem-estar e à alegria!
Simone Sartori
Agência AL
FOTO: Jeferson Baldo/Agência AL