terça, 21 de julho de 2026
Geral
01/09/2025 | 09:40

6 mil novas denúncias de exploração infantil na internet: especialista alerta para riscos da adultização

A denúncia recente feita pelo influenciador digital Felca sobre a adultização e exploração sexual de crianças na internet gerou forte comoção nas redes sociais e acendeu um alerta urgente sobre os perigos enfrentados por crianças e adolescentes no ambiente digital. Desde a publicação do vídeo, em 6 de agosto, a SaferNet registrou mais de 6,2 mil denúncias de crimes cibernéticos envolvendo menores, sendo 52% delas após a viralização do conteúdo. A repercussão evidencia o poder das redes sociais para mobilizar a sociedade e amplificar a visibilidade de questões críticas.

O caso trouxe à tona não apenas a gravidade da exposição infantil na internet, mas também os profundos impactos psicológicos que esse tipo de violência pode causar nas vítimas. Segundo a SaferNet, entre janeiro e julho de 2025, foram contabilizadas 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil online – um aumento de 18,9% em relação ao mesmo período de 2024, confirmando uma tendência preocupante de agravamento da violência digital contra crianças e adolescentes.

A professora de psiquiatria da infância e adolescência da Afya Educação Médica de Montes Claros, Dra Carla Caroline Vieira, informa que as consequências para uma criança que sofre exploração ou abuso sexual online podem ser desvastadoras e se manifestar de várias formas. “O trauma é profundo e pode gerar transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), quadros de depressão, ansiedade e pânico, além de problemas de relacionamento e baixa autoestima. Muitas crianças e adolescentes desenvolvem uma sensação de culpa e vergonha, o que as impede de procurar ajuda”. 

A Academia Americana de Psiquiatria da Criança e do Adolescente (AACAP), em 2022, enfatizou que o diálogo é a principal ferramenta e que o mais importante não é invadir a privacidade, mas sim construir uma relação de confiança para que a criança se sinta segura para relatar qualquer problema que esteja enfrentando online. “Os sinais mais comuns incluem o isolamento social, mudanças bruscas de humor (irritabilidade, tristeza excessiva), perda de interesse em atividades que antes gostavam, distúrbios do sono ou alimentação, e um medo ou ansiedade incomuns ao usar o computador ou celular. A criança pode também tentar esconder o que está fazendo no mundo digital, apagando o histórico de navegação ou se recusando a falar sobre o assunto”, detalha a especialista da Afya.  

Exposição precoce e adultização 

A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2023, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), oferece um retrato preocupante do comportamento digital de crianças e adolescentes de 9 a 17 anos. O estudo mostra que 24% iniciaram o uso da internet com 6 anos ou menos, e aos 11 e 12 anos, 82% já possuem perfil em redes sociais – número alarmante considerando que a maioria dessas plataformas exige idade mínima de 13 anos. 

A psiquiatra da Afya Educação Médica de Montes Claros explica que, na prática, a adultização é como pular etapas no desenvolvimento. E que quando uma criança é incentivada a ter uma aparência ou comportamento de adulto, ela perde a oportunidade de viver a infância, que é um período crucial para a formação de habilidades emocionais.

“Isso pode levar à perda da espontaneidade e da ingenuidade, além de um desenvolvimento emocional acelerado e desordenado. A criança é forçada a lidar com responsabilidades e pressões que não são compatíveis com sua idade, o que pode levar a um aumento do estresse e da ansiedade. É importante entender que o cérebro de uma criança e de um adolescente ainda está em formação, especialmente o córtex pré-frontal, que é a área responsável pelo controle de impulsos e tomada de decisões”. 

A preocupação se intensifica diante dos dados revelados por uma pesquisa do Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel: 45% dos casos de ansiedade entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil estão diretamente relacionados ao uso intensivo das redes sociais. Jovens que passam mais de três horas diárias conectados têm um risco 30% maior de desenvolver depressão, e 40% dos entrevistados afirmam que sua autoestima está ligada ao engajamento que recebem – como curtidas e comentários. “As redes sociais promovem a comparação social, o cyberbullying e a pressão por performance. Além disso, a gratificação instantânea das curtidas e comentários pode criar um ciclo de dependência psicológica e alterar a química do cérebro”, complementa a psiquiatra da Afya.

.Sobre a Afya  

A Afya, maior hub de educação e tecnologia para a prática médica no Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior em todas as regiões do país, 33 delas com cursos de medicina e 20 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde. São 3.653 vagas de medicina autorizadas pelo Ministério da Educação (MEC), com mais de 23 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo "Valor Inovação" (2023) como a mais inovadora do Brasil, e "Valor 1000" (2021, 2023 e 2024) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio "Executivo de Valor" (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 - Saúde e Bem-Estar. Mais informações em http://www.afya.com.br  e ir.afya.com.br.   


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