terça, 18 de janeiro de 2022
Geral
12/01/2022 | 16:41

Com 30% dos casos, câncer de pele é o mais frequente no Brasil, segundo dados do Inca

Verão, altas temperaturas e muitos dias de sol convidam para passar horas na praia ou na piscina, e isso significa cuidado redobrado com a proteção dos raios solares. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pele é o mais frequente no Brasil, chegando a 30% dos registros. Santa Catarina é o estado que mais possui incidência de ocorrências malignas, com 12,13 casos em homens e 11,54 em mulheres, para cada 100 mil habitantes. Para incentivar a prevenção, o biomédico esteta e professor da UniAvan Leandro da Silva explica como a doença se manifesta, suas causas e tratamentos.
 
 
 
1-  O que pode causar o câncer de pele e quais as suas características?
 
Biomédico esteta e professor da UniAvan Leandro da Silva: Se não diagnosticado precocemente, a doença pode levar à morte. Para que fique claro, um câncer é uma proliferação exacerbada e descontrolada de células em alguma região do organismo. O câncer de pele não melanoma é o de maior incidência, visto a exposição solar e pré-disposições genotípicas. Seu prognóstico é de excelência e, se diagnosticado rapidamente, a intervenção surte ótimos resultados. A média da população com essa doença está na faixa dos 40 anos; ela acomete pessoas de pele e olhos claros. Os do tipo não melanoma se dividem em duas categorias: o carcinoma basocelular, que é o mais comum e menos agressivo, sendo constituído por células comuns da pele; e o carcinoma epidermoide, que surge nas partes do corpo mais expostas ao sol. Entre as características, há também o câncer de pele melanoma maligno que, apesar de ser o de maior risco para o ser humano, é diferente do anterior e atinge em torno de 4% dos pacientes. Seu prognóstico pode ter complicações caso não seja diagnosticado rapidamente. Dentre as causas, podemos pontuar as de maior risco, que são: histórico familiar de melanoma; características com múltiplas pintas; tipo de borda e coloração; e pessoas que queimam facilmente quando expostas ao sol e que, geralmente, são de pele e olhos muito claros.
 
 
 
2- De qual forma essa doença pode se manifestar? Com manchas? Sinais?
 
No que compreende a manchas e principalmente melanomas, frente aos seus riscos, devemos observar no autoexame e nas consultas o sistema A, B, C, ou seja: “A”, em que se avalia a assimetria ou não das manchas; “B”, com foco nas bordas; e “C”, em que se observa a cor. Uma importante observação é que as manchas e melanomas podem ocorrer em qualquer parte do corpo. Portanto é primordial observar os locais de dobras corporais e inspecioná-las.
 
 
 
3- Deve-se procurar um médico especialista a cada aparecimento de sinal no corpo?
 
O ideal é sempre ser acompanhado por um profissional da saúde.  No caso de percepção de cor diferente, formas diferentes de manchas e aumento repentino delas, a sugestão é que o paciente vá, o mais rápido possível, ao médico com especialidade em dermatologia.
 
 
 
4-  Quais são as melhores formas de prevenção à doença? Quais hábitos as pessoas devem adotar no seu cotidiano para evitar a situação?
 
Os tumores de pele podem ser prevenidos evitando-se a exposição ao sol no horário das 10h às 16h, sendo assim, é necessário usar filtro solar e reaplicar a cada duas horas. A eleição da marca e o fator de proteção devem ser discutidos com profissional habilitado em dermatologia ou estética. Outra forma de se prevenir é evitar o contato com produtos químicos e de irradiação ionizante, assim como evitar produtos que gerem hipersensibilidade, pois pode evoluir para cronicidade, aumentando o risco de desenvolver melanoma. Também é necessário observar o ressecamento da pele e, se esse for extremo, buscar orientação profissional.
 
 
 
5- Alimentos podem auxiliar na prevenção?
 
No caso do câncer de pele, não há estudos afirmando o seu desenvolvimento diante da alimentação, no entanto, é afirmativo que muitos alimentos auxiliam na prevenção da doença. Os estudos científicos até o momento relatam que os alimentos contribuem para uma vida saudável e protegem a pele de riscos e danos solares quando ricos em licopenos, ou seja, alimentos que possuem uma cor vermelha-alaranjada, como tomate, mamão, melancia, entre outros. Também contribuem para essa prevenção os alimentos que possuem polifenóis, ou seja, ele atua como um antioxidante para proteção do organismo, sendo encontrado no feijão preto, morango, maçã, espinafre, nozes, castanha, entre tantos outros alimentos.
 
 
 
6- É verdade ou mito que a luz artificial pode prejudicar a pele?
 
Apesar de menos perigosa, a luz artificial também pode estimular a pigmentação da pele.  Porém não há estudos que comprovem, até o presente momento, que a luz artificial, por meio de lâmpadas comuns e eletrônicos, aumenta a incidência de melanoma.
 
 
 
7- Existe cura? Como é feito o tratamento?
 
O tratamento é realizado de acordo com cada característica do câncer. Para o tipo não melanoma epidérmico, a indicação, na grande maioria das vezes, é cirurgia e/ou radioterapia. Já o câncer de pele melanoma, a cirurgia é o tratamento eleito, assim como por vezes a radioterapia e a quimioterapia. Infelizmente, o melanoma maligno é incurável pois, na maioria dos casos, passa por metástase, ou seja, quando ele “migra” para outras partes do corpo. Nesse ponto da doença, o principal objetivo é atenuar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente. Por isso, é necessário ter em mente que a prevenção sempre será o melhor remédio.
 
 
 
Entrevista concedida pelo Biomédico Esteta e patologista Clínico e professor da UniAvan, Dr. Leandro da Silva (CRBM 5043)

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