domingo, 25 de julho de 2021
Política
12/07/2021 | 16:34

Opinião: Coluna Prisco Paraíso

Esperidião, o Amin

Senador Esperidião Amin, ex-governador de dois mandatos, é um cidadão fora da curva em termos de inteligência e cultura. Também é um homem honrado, nunca se falou nada contra ele no sentido de malversação de recursos públicos, uso da máquina etc e tal.
Nunca foi, no entanto, um político de cultivar amizades longevas. Tanto que costumeiramente, as viúvas dele corriam para os braços de outro ex-governador, Jorge Konder Bornhausen.
O progressista tem esse traço marcante, mais personalista, de alguém que não joga para formar partido. Diferentemente de JKB e do próprio Luiz Henrique da Silveira.
Senão, vejamos. Quando se elegeu governador, em 2002, Luiz Henrique da Silveira carregou Eduardo Pinho Moreira junto com ele e ajudou Leonel Pavan a ficar com umas das vagas ao Senado.

Rodízio

Quatro anos mais tarde, na reeleição, LHS chamou Pavan para seu vice e deu um mandato-tampão para Eduardo Moreira, elegendo, ainda, Raimundo Colombo ao Senado.

Câmara Alta

No pleito de 2010 foi a vez de Pavan cumprir mandato-tampão. A articulação de LHS garantiu o primeiro mandato de Raimundo Colombo como governador, o que assegurou uma cadeira de senador para Casildo Maldaner. Ele mesmo conquistou o Senado e levou Paulo Bauer no vácuo.

Porteira aberta

Ou seja, LHS abriu espaço para muita gente. Pavan e Paulo Bauer, do PSDB, Raimundo Colombo, do PFL/DEM, além dos correligionários emedebistas Eduardo Moreira, Casildo Maldaner e Neuto de Conto, que completou o mandato de Pavan no Senado.

Dentro de casa

Amin encontra-se no outro extremo. Joga muito na questão do próprio sobrenome. Ele é sempre candidato ou apresenta a mulher como opção. Junto, o casal Amin disputou seis eleições na cabeça de chapa das últimas 10, contando-se a partir da redemocratização, em 1982.
Ele disputou quatro. Ganhou duas e perdeu duas. E ela tentou duas vezes chegar ao comando de Santa Catarina, sem sucesso.

Entrave

Essa característica de Esperidião Amin dificulta a renovação e as alianças com outras legendas. O prefeito de Tubarão, Joares Ponticelli, há tempos tenta se impor internamente para dar uma arejada no Progressistas. Encontra, contudo, muita dificuldade nessa direção. Em 2014, Ponticelli foi empurrado como candidato a vice de Paulo Bauer.

Ser ou não ser

Em 2018, o senador apareceu com a mesma conversa, sinalizando que seria candidato a governador, etc e tal. Na undécima hora, inscreveu-se para o Senado e colocou seu pupilo, João Paulo Kleinübing, na condição de candidato a vice de Gelson Merisio.

Pivô

Noves fora esse aspecto, novamente o pleito de 2022 depende, em parte, da movimentação do senador que, ao lado dos outros dois citados neste texto (JKB e LHS) forma o tripé das grandes lideranças políticas de Santa Catarina nos últimos 50 anos.
O que será tema para novas apreciações neste espaço.


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