terça, 21 de setembro de 2021
Economia
12/07/2021 | 14:18

Construção civil recebe 20 mil toneladas de aço da Turquia

Um carregamento de 20 mil toneladas de aço importado da Turquia chegou ao Brasil na semana passada, no porto de São Francisco do Sul. Trata-se de uma iniciativa da Cooperativa da Construção Civil do Estado de Santa Catarina (CooperconSC) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), reunindo pedidos de 137 empresas de 8 estados brasileiros.  
Os altos preços do insumo no mercado nacional motivaram a ação, que teve o intuito de garantir o abastecimento do material com um valor mais competitivo. Com a importação, o custo para os construtores ficará cerca de 20% abaixo do mercado nacional. 
Em parceria com a CBIC, no final de 2020 a CooperconSC captou empresas interessadas em adquirir o aço importado e, no final de fevereiro, chegaram ao montante de 20 mil toneladas.  
“A carga chegou ao porto, foi descarregada e nacionalizada. Agora iniciamos as entregas para todas as empresas que participaram desse primeiro lote de importação de aço. Seguimos firmes no projeto de garantir o abastecimento de materiais de alta qualidade, de acordo com todas as normas brasileiras e com custo cerca de 20% abaixo do mercado nacional”, destacou Roberth Meinert, gestor da entidade. 
Para José Carlos Martins, presidente da CBIC, esta iniciativa mostrou a capacidade de realizar importação em maiores lotes e com a agilidade que a indústria da construção precisa. “A preocupação central das empresas é a disparada do preço do aço nos últimos tempos. É preciso provocar um choque de oferta no setor, com estímulos à entrada do insumo importado no mercado brasileiro”, destacou. 
O presidente do SINDUSCON Joinville, Bruno Cauduro, lembra que a falta de insumos e os sucessivos aumentos impactaram na produtividade do setor e refletiram no custo final dos imóveis.
“Com o mercado imobiliário aquecido, é fundamental que o abastecimento de materiais esteja normalizado, com preços estabilizados e cumprimento nos prazos de entrega. A estratégia das empresas de se juntarem para fazer compras, por meio de cooperativas, aumenta o poder de negociação e possibilita a manutenção dos negócios e dos lançamentos, inclusive para as pequenas e médias empresas, garantindo também a manutenção de emprego e geração de renda.” 
 
Tratativas para a compra do aço 
Pelo baixo volume de atendimento e os elevados preços do aço no mercado interno, a CooperconSC, apoiada pela CBIC, avançou no projeto de viabilizar a importação de aço CA-50 da Turquia.  
“Após aprovação por toda diretoria realizamos a homologação de usinas na Turquia e o processo de certificação no Inmetro tanto da usina quanto da CooperconSC como importador, tornando assim nosso material da marca SC 50 totalmente de acordo com as normas ABNT e 100% de acordo com processo da Portaria 73/2010 do Inmetro. Também obtivemos, por meio da Receita Federal do Brasil, o Radar Ilimitado para realizar importações de qualquer valor”, explicou Meinert. 
As entidades já fecharam um segundo lote de aço importado, com mais um navio de 20 mil toneladas, que deve chegar em setembro deste ano, e estima abrir a captação de volumes para um terceiro lote com data prevista de entrega do material em novembro. 
“Ainda visualizamos demanda no mercado para fechar dois ou três navios para entrega ainda em 2021. O mercado continua pressionando por agilidade na entrega de aço para cumprir seus cronogramas de obras em andamento e, principalmente, poder voltar a efetuar lançamentos de novos empreendimentos que já estão com projetos aprovados, mas que com a falta de insumos, principalmente aço, além dos elevados reajustes, já notamos uma redução no ritmo da construção civil no país”, concluiu Meinert. 
Pleito da CBIC 
A CBIC apresentou à Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Ministério da Economia uma solicitação de redução da tarifa de importação do aço. Além disso, esteve com o ministro Paulo Guedes mostrando que, se nada for feito, o consumidor e o próprio governo vão pagar a conta desse aumento de custo, que deverá ser repassado ao preço final das obras. 
“Reduzir os preços significa permitir a continuidade da demanda na construção civil e a consequente geração de emprego e renda. Um país que precisa melhorar sua economia e tem uma série de problemas sociais não pode se furtar de tomar medidas que vão resultar em benefícios socioeconômicos”, disse Martins. 

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