terça, 21 de setembro de 2021
Política
05/07/2021 | 15:15

Coronel Mocellin: Em entrevista, o parlamentar trata de temas como a pandemia, onde garante: “Somos o estado que menos fechou”.

Coronel da reserva do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, o deputado Coronel Mocellin, 58 anos, é formado em Direito pela UFSC e em Direito Ambiental pela Faculdade Avantis. Possui pós-graduação em Segurança Pública, especialização em Segurança Pública e Administração Pública, e mestrado em Ciência e Tecnologia Ambiental. Por três anos foi o comandante-geral do Corpo de Bombeiros de SC, por 16 anos comandou a corporação no Litoral Norte e por mais de 20 anos coordenou o Serviço de Busca e Salvamento Aquático dos Bombeiros.
Com esse currículo, ele fala com autoridade sobre a área que tem recebido investimentos pesados em equipamentos pelo governo do estado, mas que ainda está defasada na questão de pessoal e salarial. presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa, Mocellin entende que a chamada “melhor segurança do país” precisa ser valorizada à altura e luta por isso.
Nesta entrevista exclusiva à coluna Pelo Estado, o parlamentar trata deste tema e de outros, como a pandemia, onde garante: “Somos o estado que menos fechou”.
Confira:
O senhor participou das negociações para o aumento salarial da Segurança Pública. O que achou do reajuste?
 A proposta do governo não é a ideal, claro que não. São mais de 30 mil servidores da área e a proposta do governo prevê que nenhum salário fique abaixo dos R$ 6 mil por mês. O projeto vale para servidores ativos e inativos, da Polícia Militar e Civil, Corpo de Bombeiros Militar e IGP (Instituto Geral de Perícias). São sete anos sem reposição inflacionária e perdas que chegam a 50%.  O Estado continua em débito com a segurança pública. Mas foi o máximo que o governo conseguiu oferecer. Eu continuarei lutando pelo fortalecimento da segurança pública, melhorando as condições de trabalho dos guerreiros e, claro, atuando no combate à criminalidade e na proteção da sociedade. A melhor segurança pública do Brasil merece ser valorizada.
Mas não é só reajuste, o senhor não acha falta pessoal na Segurança Pública?
Eu comecei na Polícia Militar em 1983, quando fui soldado e cabo lá em Chapecó. Nós tínhamos um efetivo de 13.500 policiais. Hoje a PMSC tem 10 mil de efetivo. Mas a gente sabe também que a forma como trabalhávamos era totalmente diferente. Nós fazíamos ronda na rua, como dupla de policiamento. Hoje é totalmente inviável. Atualmente nós trabalhamos com o auxílio da tecnologia, todos os órgãos de segurança precisam desse apoio. Trabalhamos mais com prevenção e inteligência. Hoje fizemos mais com menos pessoas. Mas a reposição do efetivo nós também precisamos ter. As cidades cresceram muito e a população clama por segurança. O governador Moisés já incluiu mais 1 mil policiais. Formou 500 e está formando mais 500. No Corpo de Bombeiros precisamos de mais 300 soldados militares.
O Governo Moisés anunciou mais de R$ 300 milhões em investimentos, o maior da história. O que o senhor achou?
Esses investimentos de fato são muito bons, o maior da história, mas em equipamentos. Não inclui aumento de pessoal. Na PMSC são mais de 1,5 mil viaturas. Nos Bombeiros 60 Autos-Socorros de Urgência, quase 40 caminhões, enfim. Mas não abrange o concurso. O governador tem a consciência de que a área precisa de mais pessoal.
 
Foto Divulgação/Agência AL
“Se eu estiver em um carro e o bandido chegar ali e achar que eu estou armado, ele vai pensar duas vezes. Queremos gerar  dúvida no bandido. Fazer ele pensar: será que ele está armando?”
O senhor é um defensor na flexibilização da questão do armamento pessoal. Qual a sua avaliação deste movimento, que foi o primeiro decreto do governo Bolsonaro?
 Quem pensa ao contrário não está de acordo com o mundo atual. Quem acha que proibir o uso de armas por pessoas de bem vai resolver o problema da segurança pública é porque não tem o conhecimento da área. Agora que se começou a flexibilizar o número de armas, caiu um monte o número de homicídios. As pessoas pegam exceções, como numa discussão de trânsito onde alguém possa usar uma arma, como regra. A regra é a seguinte: quando um bandido vai entrar numa casa tendo a certeza de que não tem defesa nenhuma, é muito fácil. A gente está facilitando muito a vida dos delinquentes. E quem é delinquente não vai fazer registro de arma. Se você quiser comprar uma arma hoje, te dou 24 horas e você consegue uma arma clandestina. Nós não podemos nos iludir de que se proibir as pessoas de bem andarem armadas vai fazer com que diminua o número de armas para bandidos. Se eu estiver em um carro e o bandido chegar ali e achar que eu estou armado, ele vai pensar duas vezes. O que nós queremos fazer é gerar dúvida no bandido Fazer ele pensar: será que ele está armando? Não é pra eu me defender. Porque quando ele apontar a arma na minha cabeça acabou. Não posso fazer mais nada. Claro que não vai se ter uma arma e sair usando, tem que ter curso, ter técnica para poder usar.
Qual a avaliação sobre a reforma da previdência enviada para a Alesc?
É um tema fundamental para a sustentabilidade do sistema de previdência dos servidores públicos. Afinal, o déficit registrado ano após ano ultrapassa os R$ 4 bilhões. Agora é preciso debater e dialogar com todas as categorias impactadas. Teremos julho inteiro para discutir. O momento é de conhecer os detalhes da proposta para evitar injustiças.
Qual a sua avaliação da atuação do governo Moisés na pandemia?
Posso falar com propriedade porque eu e o deputado Dr. Vicente Caropreso, por indicação do presidente Julio Garcia, participamos de reuniões diárias. Então, todas as análises sobre retomadas de atividades passaram pela gente. Cada categoria que nos procurava, nós pedíamos para que fossem apresentados protocolos e daí estudávamos qual a melhor medida a ser tomada para a retomada dos setores e encaminhávamos para o Centro de Operações de Emergência em Saúde (Coes). Santa Catarina foi o estado que menos fechou. Eu cobrava do governador e dizia: “não adianta fechar, temos é que mudar o comportamento das pessoas”. A gente sabe que a maior contaminação não se dá no ambiente de trabalho, se dá nas horas de lazer. Neste sentido conseguimos fazer com que o estado sofresse menos com a pandemia. Tínhamos que conciliar o combate ao vírus com a manutenção dos empregos das pessoas. E com isso Santa Catarina arrecadou mais em 2020 do que em 2019  e 2021 está crescendo ainda mais. Eu sou autor do projeto que determinou várias atividades como essenciais, fiz um rol de atividades e inclui todas no projeto, inclusive a educação.
 
Foto Divulgação/Agência AL
“Acho que o ritmo da vacinação está razoável. Estou otimista com a volta das atividades e acho que teremos um verão com boa retomada da economia”.
 
O governo federal, que o senhor é apoiador, é criticado pelo atraso na compra de vacinas. Qual sua avaliação?
É muito fácil criticar. Mas as propostas que as empresas faziam eram muito superficiais, uma delas não queria se responsabilizar por qualquer problema que fosse acontecer e daí o governo ficou receoso. Não acho que houve atraso. Acho que no Brasil estamos indo muito bem, já temos mais de 30% de pessoas que tomaram ao menos a primeira dose e cerca de 12% que tomaram as duas doses. Não podemos comparar com os Estados Unidos, que têm muito mais recursos. Somos um país continental, com dificuldades, e o governo já anunciou que não faltará dinheiro para comprar vacinas. Acho que o ritmo está razoável. Estou otimista com a volta das atividades e acho que teremos um verão com boa retomada da economia.

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