domingo, 26 de janeiro de 2020
11/12/2019 - 10:45

Demanda de SC na infraestrutura representa metade do orçamento federal

Estimativa da Fiesc aponta necessidade de investimento muito acima do que o governo federal prevê para 2020

A infraestrutura de Santa Catarina demanda um investimento de R$ 11,5 bilhões até 2023, segundo cálculos da Federação das Indústrias do Estado de SC (Fiesc). A entidade elaborou uma estimativa do recurso necessário para manutenção e ampliação do setor de transportes considerando a necessidade nas áreas rodoviária, ferroviária, aeroviária e aquaviária. O valor anual corresponderia a R$ 2,89 bilhões, quase metade do orçamento federal da pasta em 2020 para todo o país, que é de R$ 6 bilhões. 

"Santa Catarina tem índices econômicos positivos. Tem expansão do PIB, o emprego é quase pleno. Se nós não tivermos a infraestrutura necessária, podemos perder ou diminuir essa qualidade" disse o presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar. 

O estudo aponta a necessidade por setor. O Estado demanda R$ 8,8 bilhões para rodovias, R$ 833,5 milhões para ferrovias, R$ 480 milhões para aeroportos, e R$ 1,45 bilhão para o sistema aquaviário em quatro anos. Do montante, R$ 7,1 bilhões são relativos à investimentos federais, R$ 1,25 bilhão estadual, R$ 150 milhões municipais, e R$ 3 bilhões privados.

"É importante concluirmos as obras da BR-470. Temos outros exemplos de investimentos necessários que são a BR-282, a BR-285, a BR-280, a própria BR-101. Sabemos das dificuldades que o governo federal tem de atender a todas as demandas e, portanto, a concessão é um caminho", afirmou. 

O problema fica mais evidente quando o Brasil é comparado a outros países. Segundo dados de 2016 divulgados pelo Banco Mundial, o Brasil ocupa a 55ª posição no ranking mundial de logística, apesar de ser o 9º no ranking de PIB. Além disso, o país ocupa a 80ª posição em competitividade numa lista de 137 outras nações. 

Para Aguiar, a situação das rodovias catarinenses é muito pior do que as pesquisas apontam. Um estudo da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) destacou cerca de 12% de ótimo e bom para as estradas de SC. Segundo ele, com o passar do tempo, a população vai ficando menos crítica com as rodovias e "aceita condições ruins como regulares". Além disso, o Estado é o que registra mais mortes por quilômetro de rodovia federal entre todas as unidades da federação. 

Para tentar resolver o entrave, a Federação vai levar as demandas para Brasília. A Agenda da Infraestrutura, que contém o estudo completo, será entregue para deputados, senadores, representantes do Executivo e outras autoridades, para que se sensibilizem ao problema. "Investir em Santa Catarina não é só uma questão de justiça, mas também uma questão de inteligência estratégica porque é um estado que dá resposta muito rápida aos investimentos feitos aqui", disse Aguiar. 

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